Saindo do casulo

// julho 27th, 2009 // Coisa séria, Realismo

Ontem meu irmão saiu lá de casa. Mudou-se pra um quarto num apartamento em um prédio relativamente perto do meu.

Botamos a mudança dele no meu carro sem esforço. Era só uma mala, um violão, duas mochilas e um colchão inflável.

Dei pra ele um cabideiro, uma mesa e uma cadeira dessas de boteco, que é pra ele ter onde apoiar pelo menos as camisas passadas e o computador.

Chegamos no apartamento novo e a dona estava terminando de dar uma geral no quarto dele. Tava limpinho e já tinha cortina.

Achei a dona simpática, comunicativa inclusive. O namorado dela também, muito educado, se apressava em ajudá-la. São jovens como ele, como nós.

E o Rapha lá, enchendo o colchão enquanto eu imaginava aquilo tudo um pouco mais organizado [o ap tava com aquela bagunça de mudança, sabe?], e me lembrava dos tempos em que eu também dividia apartamento com amigos. A diferença é que ele tinha conhecido aquelas pessoas há apenas dois dias, através de um anúncio na internet.

No ar uma aura de “somos todos legais, só precisamos nos conhecer melhor pra podermos ficar confortáveis uns com os outros”. Tentei colaborar com o clima “somos amigos de infância instantâneo” mas o nó na garganta atrapalhava. Devo ter passado uma imagem de “o irmão caladão” ou “o irmão antipático”. Paciência, depois eu corrijo isso.

Não enrolei muito, saí assim que colocamos tudo no lugar. Na despedida disse umas palavras poucas que pudessem tê-lo confortado e encorajado nessa nova etapa da vida adulta, mas não sei se consegui. Quase certeza que não. O abraço, em silêncio, deve ter surtido efeito melhor.

E ele ainda disse que o Celtinha é que era valente, por caber tanta coisa :)

3 Responses to “Saindo do casulo”

  1. Hellen disse:

    É, sei como é isso. A gente quer fingir que encara legal ver o “irmão caçula” crescido, independente, escolhendo os próprios caminhos que às vezes achamos “perigosos”. Até hoje me lembro da vontade que tive de dar uma voadora na cara da primeira sirigaita que vi meu irmão beijando na boca… Como pode? Aquele que até pouco tempo atrás (uns 17 anos, rsrsrsrs) vinha correndo com uma macacãozinho com suspensórios, chorando e todo molhado porque tinha feito xixi nas calças e os amiguinhos estava rindo dele e eu saia que nem uma leoa pra sentar o cacete naquele bando de abusado que estava rindo do meu irmãozinho…
    É, só de pensar que o meu já está há quase 3 anos a um mapa de distância de mim (eu no Rio e ele em Macapá), já fico com os olhos todos marejados.

  2. Rapha Gomes disse:

    Valentes somos nós, Guga, que fazemos o que tem que ser feito e assumimos as consequências. Cada escolha dói de um jeito, mas alivia por outro lado. Eu tbm não disse mta coisa não por antipatia, mas por ter o péssimo defeito de conseguir dizer menos do que sinto.

    O nó na garganta continua e nunca vai passar. É o mesmo que se instalou no dia 12 de janeiro de 2009, quando ao decidir sair da casa dos pais, com uma mala e uma mochila nas costas rumo a São Paulo, deixei mãe, madrinha e namorada chorando na rodoviária. Sem falar no pai, que vi indo pro trabalho e o carro se afastando com ele dentro.

    O ser humano não foi feito pra despedidas…

    Beijos,

    Rapha.

  3. Jessica disse:

    Aiii.. cacete!! Meus olhos encheram de agua agora… Definitivamente, o ser humano não foi feito pra despedidas….

    Me lembro de cada uma das minha inumeras mudanças… foda!

    Rapha, muita sorte e felicidade nessa nova etapa da sua vida! Mil bjs

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