Diário do ex-gordo – Dia 1

// julho 9th, 2009 // Atletismo

Cheguei na academia, troquei de roupa, me alonguei cuidadosamente [mostrando que "sei" do riscado] e me apresentei pra instrutora, uma doninha razoavelmente simpática. Senti que ela me comeu com os olhos, imaginando o tesão que vou ficar quando tiver 3,1kg a menos de massa gorda. A tarefa do dia era prescrever minha série de exercícios.

Sem muitas delongas, ajeitou os óculos [visivelmente comprados num balcão de farmácia] e começou a fazer as perguntas de praxe, qual meu objetivo e tal… Deu vontade de dar umas respostas bem cínicas tipo: “Perder massa gorda? Nem pensar! Quero só sentir aquela dorzinha gostosa da lactina corroendo meus músculos nas primeiras semanas”, mas me contive, respondi tudo educadamente. “Quero só perder a barriga e ganhar um pouco de músculos, mas vamos começar pela gordura, ok?”.

Daí ela me explicou o processo de perder peso e tal. Aqui abro um colchete pra dizer que me espantei com tanta informação, uma vez que todas as etapas anteriores resumiram-se a perguntas e respostas monossilábicas, sabem como é? Aquela coisa qual teu nome-idade-ocupação-quermalharquantosdiasporsemana. Fecha colchete. Também disse como a musculação acaba colaborando pra queima de gordura [e não apenas as atividades aeróbicas]. Bem didático, muito bom. Finalmente pegou uma fichinha amarela, preencheu meu nome com uma letra feia, se levantou e anunciou: “Vamos lá, deixa eu te apresentar os aparelhos”. De longe [da esteira] a Valéria só me acompanhava com os olhos. E eu pensando “que diabos vim fazer numa academia que não tem tv a cabo em frente as esteiras/bicicletas?”. Enchi os pulmões de ar e acompanhei minha instrutora.

Caras, eram 18:20 e a academia estava, obviamente, LOTADA. Como eu não tava mesmo com muita vontade de começar, não me irritei em ter que esperar alguns minutos pra cada aparelho desocupar. Os primeiros exercícios foram ok, aceitei as cargas [leia-se PESOS] que ela ia sugerindo e, como eu estava fazendo apenas 1 série de cada exercício, foi tudo bem. Quer dizer, até começar o segundo exercício pra cada um dos grupos musculares.

Preciso dizer que não imaginava a frustração que seria não conseguir fazer uma rosca concentrada de bíceps com 8 quilos. Eram pra ser 12 repetições. Sabem quantas eu fiz? SETE. Das 12 fiz 7. SE-TE. Aí troquei de braço. Fiz mais sete, Deus sabe com que esforço, que era pra não ficar torto. Tentei completar as 12 com o braço direito mas só consegui mais três. TRES! Quando me virei pra fazer outras três com o braço esquerdo [seguindo a lógica de exercitar igualmente os dois braços pra não ficar torto], reparei que um shwazneger-like do meu lado fazia o mesmo exercício fazendo caretas. Pensei comigo: esse armário aí tá pegando o mesmo peso que eu, fazendo careta, e ele já deve estar aqui há 17 anos! como essa biscate pretende que eu consiga fazer a mesma coisa? Maldita. Finalizei honrosamente minhas 10 repetições [7 + 3, né?], e corri pra guardar meus pesos com o resto de dignidade que me sobrava.

Daí em diante parei de agir passivamente em relação aos pesos que ela sugeria. Ela mandava cinco e eu revidava com três, sem a menor cerimônia. Pro inferno se ela vai me achar um fracote. Valéria continuava me observando, já molhado de suor dos pés à cabeça. Quando achei que o pesadelo havia chegado ao fim, a instrutora anuncia: “Agora vamos finalizar fazendo abdominais, tá?”. Abdominais meu cú, pensei em silêncio. “Perfeitamente”, balbuciei.

Me botou deitado num colchonete nojento, encebado de álcool, gordura e fragmentos de toalha de papel que a geral usa pra “limpa-lo” antes de se deitar em cima. Até parece… Mas quem se importa, né? Naquela altura do campeonato o quesito noções de higiene é o que eu menos fazia questão de demonstrar. Fiz lá umas 8 ou 10 abdominais, mais umas 3 ou 4 daquelas pra exercitar os oblíquos e só. Valéria me olhava com um ar de “hoje vou te comer com farinha” e eu pensei “filha, hoje eu não presto nem pra lavar minhas orelhas”.

Daqui a pouco vou pra lá de novo, ver se consigo fazer algo além de suar como um porco.

Não esperem posts bem-humorados amanhã.

5 Responses to “Diário do ex-gordo – Dia 1”

  1. Hellen disse:

    Rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs.

    Não sei se rio mais com o as tiradas do post (”Senti que ela me comeu com os olhos, imaginando o tesão que vou ficar quando tiver 3,1kg a menos de massa gorda”, “Valéria me olhava com um ar de “hoje vou te comer com farinha” e eu pensei “filha, hoje eu não presto nem pra lavar minhas orelhas””) ou com a identificação total que tive com o MEU primeiro dia de academia…

    Força meu amigo!!!

  2. marcelo disse:

    Hehehehehehehe…. e aí? Ta doendo?

  3. Guga disse:

    Hellen, no começo é assim mesmo. Com o tempo PIORA, né? =D

    Marcelo, doendo não está. Quer dizer, só quando estico os braços.

    E ontem eu não fui, por motivos de força maior.

  4. Hellen disse:

    Pra mim piora sim, pois aquele pseudo-ânimo de “vamosficargostosatudovaleapena”
    vai se esvaindo com cada gota de suor sofrido e amargo (devo confessar que ficaria mais satisfeita fazendo dança, spinnig, step essas coisas mas, como os horários são infrequentáveis pra mim, me TORTURO na malhação e na esteira).

  5. marcelo disse:

    Gente, vão por mim!! Insistam na esteira!! É HORROROSO no começo, os primeiros 15 minutos são torturantes, não importa quanto tempo você pratique… mas depois, colegas… ah! depois… 30, 40 minutos de esteira modificam o dia da gente pra melhor!! Endorfina rules!!

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