Hoje acordei [às 4am] com barulho de água escorrendo. Achei estranho mas, sonolento como estava, não dei importância. Apenas resolvi aproveitar pra dar uma mijada.
Depois da mijada resolvi tomar um gole d’agua. Abri a porta do meu quarto e, qual não foi a minha surpresa quando, descalço, sinto meus pés afundarem em uma poça gigante de água. Fechei a porta do quarto cuidadosamente e então acendi a luz. O que vi foi a visão do inferno: meu apartamento estava completamente alagado.
Imediatamente deduzi o que havia ocorrido: a máquina de lavar, que havia ficado ligada para que pela manhã a roupa estivesse pronta pra ser estendida, havia pifado e transbordava sabe Deus há quanto tempo. Um pife comum, devo dizer, e que até já havia acontecido antes: escapa uma merda de mangueirinha e isso faz o tal do automático parar de entender que o nível de água já foi atingido e continua pegando água infinitamente, e obviamente transbordando. Só que das outras vezes apenas a cozinha foi alagada, graças ao ralo que fica ali pertinho da própria máquina. Acontece que ontem havia um pano de chão obstruindo o bendito ralo, e a água não tendo por onde escoar, escorreu por toooodo o apartamento.
Cozinha, sala e banheiro social ficaram em miséria. Tapetes, calçados e até os carregadores dos notebooks que estavam largados no chão, tudo ficou ensopado. Caras, não consigo descrever a quantidade de água que havia. Sem contar que, por um triz, quase que a água escorre pela porta da sala afora, invadindo outros apartamentos e andares. Imaginem se isso tivesse acontecido! Felizmente não aconteceu, ou eu não estaria aqui pra contar a história: teria sido linchado.
Desliguei a máquina e a coloquei pra centrifugar. Tirei a camiseta, juntei um balde, um pano, e toda a disposição que se pode ter numa hora daquelas [alta madrugada, vale lembrar] e decidi, como bom marido que sou, enxugar tudo sozinho e sem fazer [muito] barulho. Puta idéia infeliz! Depois de umas 10 torcidas de pano meus dedos começaram a arder. Nego é pó de arroz, né, fazer o quê? Só que tem um porém: eu sou um paranaense valente! Segui firme no meu propósito e quando o dia já estava amanhecendo eu finalmente consegui finalizar minha tarefa.
Daí voltei pro quarto e acordei minha dona fazendo um carinho nos cabelos dela, como se nada tivesse acontecido. Ela acordou e estranhou o fato de eu estar suado [fedorento, né?] e perguntou pq eu estava naquele estado. Com jeitinho contei a saga pra ela. Tadinha, ficou toda comovida.
E a roupa que estava na máquina? Continua lá, centrifugada, esperando que eu chegue em casa e reencaixe a tal mangueirinha antes que a lavagem seja repetida.
Moral da história: ralos não são feitos pra serem tampados com um pano de chão. Estamos combinados?