// maio 19th, 2009 // 11 Comments » // Absurdo, Bronca, Consumismo, Me dá um dinheiro aí
Sexta passada, tava eu moribundo em cima da cama, rezando pro mundo acabar em barranco, me ligou um amigo [amigo mesmo] aqui da firma, dizendo sobre uns apartementos em Valparaíso de Goiás com super-facilidades de pagamento, usando o programa “Minha casa, minha vida” da CEF. Comprando imóvel na planta, financiado 100%, começando a pagar só depois que o imóvel é entregue, com uma prestaçãozinha camarada, taxas de juros super reduzidas e, lógico, o fabuloso subsídio de até 17 mil. Aí eu super-me-animei, né? No outro dia botei a patroa dentro do carro e rumamos pra lá.
Demoramos achar o stand de vendas, mas vimos o local da obra, do lado do shopping, bem bom e tudo, com hiper mercado do lado, mega cartazes da power construtora espalhados por todo lado, vocês imaginam como é… Daí encontramos o stand, conversamos com um corretor [que aparentava estar bêbado/fumado/cheirado seilá o quê] que não nos deu muitas informações. Pelo menos ele nos levou pra ver as unidades decoradas… é tanta parede espelhada que a sensação de espaço é absurda, mas não se deixem enganar, o negócio tinha menos de 50m2. E valendo sabe quanto? 85k. E nego jurando que o negócio era bom. Bom é, pra quem topa morar a 40km do serviço, numa cidade que aparentemente oferece uma estrutura bastante precária de serviços.
No domingo fomos visitar um outro empreendimento, ali na Ceilândia/Setor O [setor ó]. Um mega condomínio com todas as opções de lazer e tal, uma unidade de 60m2 sai por 145k. Caras, 145k pra morar na cei-lân-dia. Não dá, a coisa realmente perdeu o controle. A coisa, que eu digo, é a especulação imobiliária aqui no DF. Mas bora lá, né? Seria o máximo-do-máximo que o bolso conseguiria pagar… bora ver como é que faz pra financiar essa porra.
Quando o corretor viu a nossa renda que, composta, extrapola o limite máximo de renda pra financiar com aquelas vantagens que mencionei lá no começo [do programa Minha casa minha vida], e que por isso as condições de financiamento eram outras e as facilidades na verdade não existiam, broxamos. Frustrante, caras. Vocês nem imaginam o quanto é frustrante descobrir que sua renda, pro governo, é de gente classe-média, e que por isso tem que se fuder um pouquinho a mais pra conseguir morar num cubículo-próprio, no cu do cabrobó, vizinho dos mano [ainda lembro de dois figuras bêbados e sem camisa atravessando na frente do nosso carro logo na chegada ao local] financiado por 20 anos, pagando uma prestação que não te deixa comer nem uma pizza no final de semana.
Bom, o post é pra dizer que tô puto com o guvêrno e com a CEF. Porra, pq o subsídio não pode ser pra todo mundo? Concordo que tem que ser diferenciado, mas se é pra dar uma força, não custa dar pra todo mundo, né? E os juros? Caras, é impressionante, o juro que eu pagaria é 3x MAIOR do que uma pessoa com renda de 1300 reais. Ou seja, a tia da limpeza aqui da firma conseguiria comprar o ap no mega-condomínio, com super-subsídio, a juros irrisórios, com parcelinhas módicas. Mas eu não.
O próximo que chegar pra mim e falar: “mas pq vc nao tenta o financiamento da caixa? tá financiando até 100%” eu juro que dou uma má resposta.
E a pergunta que não quer calar é: quem define quanto vale um pedaço de terra? Pq aqui no DF tem que ser tão mais caro?!?
Comprar imóvel, na minha opinião, é algo fora de questão nos próximos 10 anos.