// julho 10th, 2009 // No Comments » // Bronca, Realismo
Essa semana rolou um workshop sobre o planejamento estratégico da empresa. De terça até hoje, todas as manhãs foram dedicadas a palestras e atividades que ajudassem a esclarecer o que e como devemos fazer de acordo com os novos objetivos da empresa pra dominar o mundo.
Na segunda-feira de tarde, porém, recebi uma atividade com prazo pré definido [hoje], diante do qual não poderia participar do workshop. Todo mundo ali, sentado em big puffs multi-coloridos, e eu aqui, munido de fone de ouvido e uma playlist que me permitisse me concentrar no meu trabalho e cumprir meu prazo.
É claro que fiquei bem, mas beeeem decepcionado. Na terça e quarta-feira devo admitir que estava mesmo é bem puto com a situação. Achei uma mega sacanagem ser obrigado a ficar aqui, workando, enquanto todo mundo estava numa atividade evidentemente mais divertida. Ontem, com 90% das minhas atividades concluídas, já não me sentia puto, mas a frustração de não ter participado continua.
Agora, por exemplo, ta todo mundo ali [quando digo 'ali' quero dizer a 3 metros de distância, vendo alguma apresentação ou envolvido em algum debate sobre algum assunto mais interessante do que os meus afazeres], participando engajadamente da concepção de processos e atividades que serão estabelecidos em prol de um objetivo maior e para o bem de todos [amém]. Eu até poderia ir ali, já que já cumpri meu prazo, e tentar contribuir de alguma forma mas não, vou ficar na minha. Não que eu tenha alguma coisa relevante a dizer, sugerir, propor, mas como fui obrigado a priorizar uma lista de correções “urgentíssimas” inadiavelmente pra hoje [haja vista que ninguém me perguntou se dia 10 seria um prazo suficiente], e como já me conformei em não ter participado [afinal eu sou assim, não guardo rancor], prefiro ficar na minha.
Na quarta-feira de manhã, uma das gerentes que veio de Sampa pra coordenar o workshop, chegou em mim e brincou, apontando pro meu headphone: “menino, isso aqui está te isolando de tudo, tira isso, se socializa, se integra” [ou algo nesse sentido]. Mal sabe ela que não estou usando o fone pq sou anti-social, mas pq ele me ajuda a focar no meu trabalho afim de cumprir meu prazo. Mas não retruquei, não respondi, dei um sorriso amarelo, vesti de novo meu fone e voltei ao trabalho.
Fica bem claro que temos um longo caminho a percorrer, afinal se não conseguimos nos organizar para que efetivamente todos participem de uma atividade destinada a todos, é porque algo não vai bem. E não, essa conversa de “teve mais gente que não pode participar do workshop” não me consola. Mesmo.
Desprestigiado e frustrado são as palavras.