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Eu tô tentando evoluir enquanto pessoa, não falar palavrões e nem xingar as pessoas, porque no fundo eu sei que não é bonito, nem pra mim nem pra minha mãe, mas caras, tá difícil pra caralho. Principalmente quando você tem um problema simples pra resolver junto a um órgão público e o caso vira uma novela. Acompanhem meu caso.
Em Janeiro sofremos duas multas, uma minha, por excesso de velocidade, indo pra Goiânia, na primeira vez que peguei o carro na estrada depois de incluir a categoria B na minha CNH; e outra da Valéria, por inventar uma vaga de estacionamento no SCS. Tudo bem, lei é lei, bora pagar as multas. Só que o carro estava no nome do ex-dono, e eu teria que transferir os pontos pra minha CNH. Muito justo e tudo e tal.
Só que o assunto esfriou e só agora a gente foi atrás pra transferir os tais pontos. Tranquilo. Documentos e cópias na mão, vai a Valéria pro Detran do SIA e, depois de 2 horas de espera, teve que voltar pra casa sem transferir os pontos porque a multa [aquela do excesso de velocidade] foi emitida pelo “Detran GO”, e daí deveríamos solicitar a transferencia dos pontos num Detran daquele Estado. Muy bien.
Resolvi ligar no 154 pra ver se não tinha jeito de fazer isso por aqui, pra não ter que matar um dia de trabalho pra voltar ao GO só pra resolver esse perrengue. O atendente me informou, com bastante propriedade, que poderíamos nos dirigir até o Detran sede [aquele ao lado do palácio do Buriti], e protocolar a solicitação de transferência de pontuação. Blz, bora lá.
Vai a Valéria, bem apertada de costura, desperdiçar seu precioso tempo em outra fila pra resolver um problema que, ao meu ver, é banal. Milhões de gentes devem ter que passar por isso diariamente. Mas o nosso caso era um pouquinho diferente, afinal a multa foi emitida em outro estado e tal… Ok. Pra economizar o tempo de vcs, só digo uma coisa: mais uma vez ela deu com os burros nágua. Foi informada de que a multa foi emitida pela PRF [e não pelo Detran GO, como informado pelo atendente do Detran do SIA e que nem se dignou a olhar o papel da multa], e por isso a solicitação deveria ser protocolada lá na sede da PRF [na 506 norte].
Vocês estão acompanhando o empurra-empurra? Detran SIA -> Detran GO -> 154 -> Detran Sede -> PRF. Cara, é de foder! Como é que eu não fico puto com uma porra dessas?
Daí me liga a Valéria, irritadíssima por ter mais uma vez desperdiçado o tempo dela. Eu, lógico, fiquei puto e mandei ela vir almoçar comigo. Ela chegou, entrei no carro e rumei, bufando de ódio e sem almoçarmos, pro Detran Sede.
Peguei o carro e fui lá no Detran Sede tirar satisfações. Alguém estava prestes a ouvir uns desaforos.
Como é que eu pago um IPVA caro desses e, mesmo depois de gastar umas 4h em filas e tananãs no telefone, pra um atendente ACONSELHAR a minha esposa a ir resolver o problema na PRF só porque foi a PRF quem mandou a cartinha da multa? Eu quero uma informação precisa, caralho! Não um conselho!
Por que diabos o incompetente do DETRAN do SIA nem se dignou a pegar a merda da multa e constatar que o emitente tinha sido a PRF, e não o DETRAN GO? Por que o atendente do 154 não me perguntou quem havia emitido a multa? Por que o atendente do DETRAN sede A-CON-SE-LHOU minha esposa a ir resolver o problema na PRF, por que é isso que ele ACHAVA que deveria ser feito, ao invés de afirmar com propriedade que era isso que ela deveria fazer?
Eu tinha que descascar em cima de alguém. E não deu outra. Perguntei no balcão “Pra quem é que a gente reclama PESSOALMENTE de uma informação prestada incorreta?”. Resposta: pra OUVIDORIA DO DETRAN. Lá sim, numa portinha nos fundos, sem ventilação e estrutura precária, vejam que ironia, fui atendido com eficiência. Registrei uma queixa de uma lauda e meia, escrita de próprio punho, descrevendo o absurdo de falta de informação e orientações INCORRETAS de que fui vítima.
Por fim, o que mais eu poderia fazer a não ser ir tentar resolver meu problema lá na PRF. Fomos.
Chegamos ás 13:45 e fomos atendidos de imediato por uma mocinha muito educada e solícita. Ouviu nossa história atentamente, avaliou nossas cópias [de DUT, CNH, e a própria multa] e falou: “Olha, vocês não podem mais protocolar pq já passou o prazo de x dias e bla bla bla, mas eu vou ali na outra sala conversar com minha supervisora pra ver se há algo que pode ser feito”. Voltou em menos de 1 minuto [reparem o contraste de eficiência, minha gente] com o problema resolvido. Preenchi um formulário simples e, vualá, saio satisfeito pq consegui, finalmente, protocolar o bendito requerimento.
E esta não foi a primeira vez que tive problemas com o Detran. Lembram do Kadettão? Demorou quase 40 dias pra ficar pronto, depois de décadas de empurra-empurra, só porque o carro era de um estado e eu queria transferir pra outro.
Um órgão que existe há décadas, ninguém sabe exatamente pra quê, que é incapaz de prestar um serviço decente de IN-FOR-MA-ÇÃO, que é o mínimo!! É o cúmulo! É o fim da picada, o fim do mundo! Toda a escória do serviço público está, ao meu ver, trabalhando no Detran.
E aí tem gente que me pergunta por que é que eu não faço concurso?!?! Porque eu tenho pavor de trabalhar num lugar onde a mediocridade impera. Se você estuda pra concurso, se seu sonho de vida é trabalhar no Detran, vai lá. Você acaba de ganhar o meu mais profundo e sólido sentimento de desprezo. E pega o seu discurso de “tem gente que trabalha direito” e enfia no meio do seu cu.
No fim das contas quem resolveu nosso problema foi uma ESTAGIÁRIA, que nem almoçada estava [ela comentou isso enquanto papeava despretenciosa e simpaticamente conosco no intuito de mudar de assunto e diminuir nosso stress]. Fiquei com dó dela só de pensar que, uma moça prestativa e eficiente, também deve sonhar com um futuro estável que só o serviço público pode oferecer. Lamentável.